O percurso - a visão do investigador
O projecto Digitar constitui, no momento, o lado visível de um trabalho de investigação que decorre já algum tempo. Mantinha algum contacto anterior com a professora, chegámos a desenvolver projectos em conjunto. Conhecia o seu trabalho e tive sempre vontade de cooperar novamente com ela.
Conhecia a escola no passado. Leccionei ali à duas décadas, no início de carreira.
A minha presença diária na escola teve iniciou em outubro de 2004, altura em que recebi do serviço dispensa integral para a investigação.Ultrapassados os formalismos legais, desenvolvi esforços de integração na comunidade escolar. Fixei-me na sala do 3º A e mantive um olhar igualmente atento a outros espaços escolares, na expectativa de poder descrever a cultura escolar.
Iniciei a observação com progressivos olhares, como se aquela realidade pudesse ser vista por camadas sucessivas. Alguns aspectos considerei fundamentais à partida como o da envolvência dos actores enquanto pessoas, os seus percursos profissionais, suas crenças sobre os papeis desempenhados. No que diz respeito à escola, sua caracterização, funcionamento e organização. Na sala de aula, o seu modelo de funcionamento e modo de organização, os actores daquela turma - alunos e professora, enquanto pessoas. Posteriormente, o meu interesse centrou-se na questão das práticas da escrita com o auxílio do computador.
A escola possui uma boa sala de informática, com uma dinâmica forte, liderada por colegas designados para essa componente. Os alunos frequentaram-na semanalmente, em horário extra-curricular. A minha curiosidade centrava-se nas actividades do tempo curricular - no que se passa na sala de aula e no que pode vir a acontecer naquele ambiente de aprendizagem, com a presença dos computadores.
A sala possuía apenas um computador e havia no ar muita imaginação para gerir aquele único recurso.
Nos dois anos anteriores visitei a turma, o último com mais assiduidade, a pedido da professora, para colaborar na implementação de uma base de dados para aprendizagem da leitura e escrita, a que chamei de Dicionário de Palavras. Esse recurso foi bastante utilizado pelos alunos. Um outro, o Brincar com Palavras, visava o trabalho sistemático da ortografia também utilizado com alguns alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE). Mas só um computador na sala para vinte e quatro alunos era muito pouco.
Entre Outubro e Dezembro o computador foi pouco utilizado. A atenção da professora dividia-se entre aspectos de organização da sala, reavaliação dos alunos e trabalho sobre os diferentes conteúdos curriculares. A sala, muito bem organizada, segue as orientações do Movimento Escola Moderna, movimento associativo ao qual a professora passou a pertencer à dois anos.
Por volta de Janeiro deste ano as nossas reflexões terminavam quase sempre na ideia de conseguir mais computadores para a sala de aula. A professora elaborara uma carta à PT Comunicações a solicitar um computador portátil para uma criança integrada nesta sala, com NEE. Solicitámos a colaboração de algumas empresas do ramo, mas a ausência de feedback aos pedidos remeteu-nos para outras estratégias. A salientar, uma empresa de que fazemos referência no site deste projecto, colaborou na recuperação de harware danificado.
A escola fez um pedido à Secretaria Regional de Educação de 3 computadores desktop. Dois outros computadores desktop foram cedidos, um pela Direcção de Educação Especial e Reabilitação, outro pela própria professora. A escola já possuía acesso permanente à internet. Foi estabelecida uma ligação à sala do 3º A com o acréscimo de uma rede Wireless - Wi-Fi. Todo o equipamento ficou apto a utilizar em Maio de 2005.
Tal como as crianças, quando querem complementar as suas ideias, esta foi a imagem que me ocorreu na altura.

Paulo Brazão


1 Comments:
muito fixe
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